Texto de Ricardo Aguilera
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Publicada em : Terra Informática
Diante do fato de recebermos mais e mais spams a cada dia que passa, começamos a nos indagar se enviar spam é, afinal, um bom negócio. Sem entrar em detalhes sobre taxa de retorno e coisas do tipo, vamos raciocinar pelo lado do destinatário do spam.
Cada vez mais, as pessoas estão encarando o spam como uma praga, algo que perturba muito, uma intromissão em sua privacidade. Com o aumento das tais mensagens indesejadas, a tendência é de ainda mais pessoas adotarem posições contrárias ao spam e - por que não? - aos spammers. Muitas destas pessoas já começam a evitar fazer negócios, comprar e manter contato com empresas spammers. Mas, por que constantemente surgem novos spams?
Num mundo em que o custo de propaganda (televisão, rádio, telemarketing, mala direta, panfletagem) é bastante alto, o spam apareceu como um alternativa barata (na verdade quase gratuita - afinal quem paga pelo spam é o destinatário) de divulgar um produto para milhares de pessoas. Talvez pressionadas pela crise econômica, talvez cegas pela ganância, as empresas começaram a se utilizar de meios pouco éticos para se promover, esquecendo-se de que o seu maior patrimônio, a imagem da empresa, fica manchado com essa prática.
O que você pensaria de uma empresa que lhe manda uma mala direta a cobrar? No fundo, o spam é isso, uma mala direta eletrônica a cobrar! A cada spam recebido, o spammer roubou um pouco do seu dinheiro, pois você pagou ao provedor, à companhia elétrica, à companhia telefônica (ou outra que lhe forneça a ligação à Internet) para poder receber uma propaganda que não lhe interessa. Outros spammers, além disso, mentem em sua mensagem trocando o assunto ou fazendo citações a leis e acordos que não existem (***link***).
Faço então a pergunta: você faria negócios com uma empresa que lhe rouba o dinheiro e já inicia o relacionamento enganando seu provável futuro cliente? Você votaria em um político que já começa a roubar ou mentir antes mesmo de ser eleito? Você faria doações a uma instituição de "caridade" que já toma seu dinheiro sem deixar que você decida se quer ou não doar alguma coisa? Você se hospedaria em um hotel ou pousada que já começa a invadir sua privacidade no primeiro contato? Você visitaria um site de alguém que lhe tomou dinheiro? Você confiaria em quem já lhe enganou? Acho que não!
Com isso estamos condenando toda e qualquer mensagem comercial? Claro que não, o spam é um e-mail que você está recebendo sem ter solicitado. Mas se você tem interesse na empresa, se se cadastra e solicita o envio de e-mails, as mensagens dessa empresa não serão spam. Esse tipo de processo é chamado opt-in , ou seja, a pessoa voluntariamente fornece seu endereço de e-mail e opta por receber as mensagens. Em todas as mensagens recebidas deve existir a possibilidade de descadastramento e a empresa que mantém o cadastro deve ter uma política de privacidade séria, não permitindo a acesso de terceiros à lista de e-mails e garantindo que enviará apenas os e-mails pertinentes ao assunto solicitado, parando imediatamente o envio quando receber solicitação para tal. E, acredite, existem empresas que adotam essa postura.
Alguns apammers usam uma versão não-ética do que chamam opt-in , em que enviam uma primeira mensagem de apresentação solicitando permissão para enviar novas mensagens. Eu disse spammers? Pois é, essa primeira mensagem, enviada sem seu consentimento, já é um spam ! Uma entidade denominada Associação Brasileira de Marketing Direto (http://www.abemd.org.br) criou um guia de boas maneiras (http://www.abemd.org.br/boasmaneiras.htm) definindo o que seria um uso "ético, pertinente e responsável de e-mail como ferramenta de marketing", no qual define essa modalidade de spam como sendo um tipo de opt-in . Mas isso é um sofisma.
A maioria dos spammers, entretanto, defende o chamado opt-out , em que a vítima é a responsável por solicitar a interrupção do envio de mensagens indesejadas. Eu aconselho a não responder essa mensagens. Uma grande editora brasileira utiliza essa forma de divulgação de seus produtos. Apesar de citar o guia de boas maneiras acima numa nota de rodapé ("Este e-mail é enviado de acordo com o "Guia de Boas Maneiras" para e-mail marketing da ABEMD - Associação Brasileira de Marketing Direto."), o responsável por tal editora parece não ter lido a segunda regra de conduta, que diz: "Quando é a empresa quem procura a pessoa, tratando-se do primeiro contato deve-se informar como foi possível chegar a ela, explicitar o produto ou serviço oferecido e apresentar de forma visível a alternativa opt in.". Em atitude típica das pessoas inescrupulosas que "gostam de levar vantagem em tudo", o responsável simplesmente esquece de dizer de onde obteve o endereço de e-mail. Obviamente, não espera pelo consentimento de suas vítimas para continuar enviando suas propagandas.
Como fazer para combater o spam? Evite comprar, responder, visitar, votar, contribuir com sites, pessoas ou empresas que fazem spam. Você pode notar que pessoas e empresas sérias não fazem spam , procure limitar seus relacionamentos a tais pessoas e empresas. Lembre-se, o spammer é uma pessoa que lhe desrespeita e toma seu dinheiro, então, por que colaborar com ele?
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